quinta-feira, 4 de maio de 2017

Moção de Repúdio

O Conselho Municipal de Educação – CME, em Uberlândia, enquanto espaço de discussão e deliberações acerca da educação na cidade, repudia veementemente o que ocorreu em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com a Pedagoga Dandara Tonantzin Castro. A ex-aluna da Universidade Federal de Uberlândia, engajada no Movimento Estudantil, militante, conselheira do CNPIR – Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, foi vítima de racismo quando, em um espaço de eventos, participando da formatura do curso de Engenharia em que prestigiava um amigo de infância em suas comemorações, teve seu turbante arrancado, recebeu ofensas verbais e um grupo de rapazes despejou cerveja sobre sua cabeça. Não há justificativa para atitudes dessa natureza, além do que o racismo é um crime inafiançável. Segundo a pedagoga, ela recebeu olhares de reprovação desde o momento em que adentrou o local em que acontecia a festa. Isso porque a escolha de seus trajes incomodou os presentes. Bastante emocionada, a pedagoga, de 23 anos, fez um longo relato, contando o episódio de racismo. Ela escolheu um vestido branco bordado e um turbante dourado. O acessório usado foi motivo de constrangimento e violência. Já fui vítima de racismo em outros episódios, mas foi a primeira vez que usaram violência. Sofri preconceitos em aviões, aeroportos e até em sala de aula. Dessa vez além do racismo, houve intolerância religiosa porque o turbante remete a religiões de matrizes africanas. Houve também machismo. Os agressores eram todos homens. Eles riam, debochavam – desabafou Dandara, ainda bastante emocionada. Não há palavras que possam amenizar a gravidade de uma violência como essa. Já estamos vivendo um momento de muita intolerância em todos os sentidos. O Conselho Municipal de Educação – CME vê a necessidade de publicar esse caso e potencializar a denúncia de todas as formas de preconceito. Colocamo-nos ao lado de todos que lutam por outra estrutura de sociedade que supere a subordinação da vida humana a qualquer tipo de segregação e humilhação.


Uberlândia, 26 de abril de 2017.